Rabiscos Econômicos

19 Junho, 2008

Um pouco sobre a Alemanha - anexo

Desemprego. Que acabou ficando de lado na apresentação geral do panorama do país antes e de fundamental participação nessa nova fase da economia do país.

O que mais se fala da Alemanha são as altas taxas de desemprego. E realmente, vinha sendo um problema sério. Ainda mais tendo em vista o alto seguro-desemprego pago. O que é um absurdo.

Há dois anos consecutivos há diminuição da taxa de desemprego, que chegou ao valor de 7,8% em maio desse ano, o menor valor desde 1993.

E um fato que surgiu hoje pode ser adicionado. Ainda ganharam da "favorita" seleção de Portugal pela Uefa Euro 2008.

A mensagem principal é: os bons resultados continuam.

Marcadores: ,

18 Junho, 2008

Querem a livre circulação de pessoas? Assim será

A União Européia deu um grande passo rumo à [ainda maior ] civilidade. Imigrante ilegal? Não aqui. O que isso gera, conseqüentemente? Reclamações de países selvagens que não conseguem mandar indivíduos legalmente aos países. Qual a racionalidade em ser contra imigração ilegal?

Defensores dos direitos humanos começaram a se articular e criticar fortemente a nova sanção aceita por ampla maioria em Strasbourg. O hábito de criar teorias da conspiração contra si próprio (principalmente) é típico daqui. Vendemos a Copa de 1998 (e de novo em 2006), querem nos roubar a Amazônia e agora querem nos proibir de entrar no país.

O problema do brasileiro é a falta de educação. Precisamos ler mais. Ninguém está proibido de ir, todos são bem-vindos, desde que estejam em situação legal. É tão simples, que chega a ser difícil entender a contrariedade.

Como diz em parte do texto extraído da matéria da Folha:

[a lei] "contribui para criar uma percepção negativa da migração" e contraria "uma desejada redução de entraves à livre circulação de pessoas e de um mais amplo e pleno convívio entre os povos".

Porém, eu concordaria com a medida brasileira de reclamar desde que liberassem estrangeiros para comprar terrenos na Amazônia. Livre circulação de pessoas e capital. Afinal, os americanos estão ansiosos para conhecer a nova tribo acreana.

Marcadores: ,

17 Junho, 2008

Um pouco sobre a Alemanha

Num mundo onde “crise” vinha sendo a palavra mais dita pelos especialistas, era de se esperar que os maiores países do mundo, isto é, os mais ricos ou abertos economicamente, sofressem com esta. Tendo em vista que os países tornam-se mais vulneráveis a crises externas, tudo o mais constante, quanto mais aberto seu mercado for.

Medimos o tamanho da abertura do país de diversas formas, a mais usual, e que eu considero mais adequada e simples, é somar os valores das exportações e importações e dividir pelo Produto Interno. Com isso sabemos que o país é grande quando esse índice for suficientemente alto.

A Alemanha, segundo dados da Organização Mundial do Comércio, exporta U$ 1.327 Bilhões em bens (não incluí serviços), se situando em primeiro lugar no ranking dos exportadores (representando quase 10% do total exportado no mundo todo). Já no ranking de importações de bens, o país é o segundo colocado, atrás apenas dos Estados Unidos, chegando a U$ 1.079 Bilhões. Logo, não preciso ir adiante, pois ninguém tem dúvida de que falo de um país grande.

Com essa crise rondando os Estados Unidos, esperava-se um arrefecimento global da Economia. E de fato, segundo o relatório do Fundo Monetário Internacional, as expectativas de crescimento mundial diminuíram. Mas a economia alemã continua crescendo. O cálculo do PIB indica um crescimento de 1,5% da produção no primeiro trimestre de 2008 em relação ao quarto trimestre de 2007 (quando obteve um crescimento de 0,3% em relação ao trimestre anterior). Como podemos ver no gráfico abaixo, a bolsa de Frankfurt, desde o início da crise no início do segundo semestre de 2007, até janeiro permaneceu estável, ignorando o que estava se passando no mundo todo. Em janeiro, quando as tensões aumentaram e vimos um desempenho muito ruim das mais importantes bolsas de valores do mundo todo, o DAX não foi capaz de se sustentar sozinho, sofrendo perdas substanciais, que até hoje não foram recuperadas ainda, embora a partir de março já venha se desenhando uma boa recuperação do índice.

Índice DAX – Bolsa de Frankfurt
Fonte: Yahoo Finance

E economia do país vem então puxando o crescimento da zona do Euro, que obteve um valor mais modesto, de 0,7% durante o mesmo período. Um dos fatores que contribuem para essa mudança na economia alemã é o fato de que a “marca” do país está sendo muito mais bem vista.

O país que passou por problemas desde a Segunda Guerra devido ao que todos sabem, criou uma instabilidade quanto ao “pensamento” do povo alemão. A re-unificação em 1989 fez com que fosse criado um projeto de convergência do lado mais subdesenvolvido (o leste, coincidentemente) com o lado desenvolvido. Até hoje hã debate, pelos habitantes do lado ocidental que não é justo ter que sustentar ainda o crescimento do lado oriental. Se analisarmos a carga tributária, ela é significativamente mais elevada para esses países, o que ao longo dos anos gerou certa dose de atraso. Não atraso estritamente falando, mas uma perda do potencial de crescimento que o lado ocidental apresentava antes da re-unificação.

Essa mudança na qualificação do rótulo Made in Germany se deu com esse avanço já citado do país. Ele por muito tempo deixou de passar aos consumidores a idéia de qualidade e a idéia que reinou foi a do preço alto, principalmente devido ao alto preço da mão-de-obra, a mais cara da Europa. Essa característica parecia conter as pretensões do país em se modernizar ainda mais e se tornar uma economia forte no setor de serviços, como a norte-americana. As críticas vinham ao fato de que o país dependia ainda da “velha economia”, o que hoje se contrasta com a incrível força do país.

Alguns analistas afirmam que a Alemanha precisa de uma crise, como um choque de realidade para as coisas mudarem, pois neste caso, a mudança seria obrigatória. Mas parece que os sinais que os alemães estão dando é o inverso. De que mesmo com o baixo crescimento mundial, eles podem renascer para o cenário mundial de forma eficiente e podendo novamente vender os produtos Made in Germany tranquilamente para o mundo todo.

Marcadores: , ,

13 Junho, 2008

Livre-Comécio segundo Don Boudreaux

O mais importante em ser um blogueiro não é necessariamente expressar em seus blogs suas próprias idéias. O blog serve de intermediário entre a fonte de informação e alguns interessados que não tiveram possibilidade de contato através de outros meios. Como os leitores (fiéis) deste blog devem compartilhar da maioria das idéias publicadas aqui, creio ser de grande intesse a definição abaixo:

O que é o livre-comércio?

Resposta: É um ambiente institucional em que compradores e vendedores adultos são livres para negociar com cada um sem se preocupar com suas nacionalidades, geografia, religião, afiliações ou quaisquer outros critérios que terceiros (ex.: governo) elevariam em termos de significância, mas os compradores e vendedores as consideram irrelevantes (ou ao menos suficientemente insignificantes tal que não afete seus desejos de transacionar uns com os outros).

Marcadores:

07 Junho, 2008

Perguntem a macro, mas quem responde é a micro: Porque matérias-primas sobem de preço?

Em meus estudos para Anpec li algo muito interessante no livro de Microeconomia do Varian.

Ele me fez pensar:

Em que medida a taxa de juros influência o preço de recursos não-renováveis?

Digamos que você é um daqueles caras com “pano na cabeça”, como tão bem disse o nosso querido presidente Lula a respeito dos Sheiks do oriente médio, e você quer saber quando vale a pena extrair petróleo e quando vale a pena deixá-lo debaixo da terra.

Digamos que você espera que o preço do petróleo irá subir no futuro, de tal maneira que o preço de hoje (P0) é menor do que o preço de amanhã (P1). Será que vale a pena tirar o petróleo agora ou mais tarde?

Bem, a resposta é: vai depender. Depender do que?

Para saber o que fazer, você tem que olhar para taxa de juros relevante.

Eis o motivo:

Digamos que você tire o petróleo hoje e venda-o ao preço P0. O que fazer o dinheiro obtido na venda? Bem, se você não fizer nada com ele, deixando ele parado no cofre, seria melhor então tê-lo deixado debaixo da terra. Isso ocorre porque, se você não fizer nada com o dinheiro obtido, era melhor ter extraído o petróleo e vendido no período em que ele tinha um preço mais elevado, ou seja, no período seguinte. Como P0 < P1, consequentemente sua receita, a quantidade de petróleo vezes seu preço (q.P), seria maior no período 1 (q.P0 < q.P1). Nesse caso, você extrai amanhã e não hoje.

E quando então faz sentido extrair o petróleo hoje sabendo que o seu preço vai subir no futuro?

Ora, só faz sentido tirar ele debaixo da terra quando você conseguir colocar o dinheiro obtido com sua venda em um lugar que irá render tanto quanto for a alta do preço do petróleo. O dinheiro obtido com a venda terá que ser investido em um ativo que renderá tanto quanto o ativo entitulado “Petróleo debaixo da terra”. A condição de igualdade seria:

P0(1+r)=P1

Ou seja, o preço do petróleo agora, multiplicado por uma taxa de juros, deveria valer tanto quanto o preço do petróleo no futuro.

Mas e o que isso tudo tem a ver com a alta no preço das commodities?

Bem, pela equação acima, podemos ver que, se a taxa de juros não for alta o suficiente para render o que o produtor de petróleo obteria ao deixar seu petróleo debaixo da terra, então ele não irá produzir petróleo! O que acontece hoje é que a taxa de juros mais relevante para a economia mundial, taxa de juros americana, está em um patamar muito baixo, tanto em termos reais como nominais, e por isso, os ativos financeiros estão com um rendimento muito baixo. O rendimento é tão baixo que não vale a pena extrair petróleo agora para vendê-lo, aplicando o dinheiro obtido no mercado financeiro. A expectativa de alta nos preços do petróleo, faz com que os produtores só queiram vender petróleo agora se a taxa de juros real compensasse a valorização que essa commodity terá. Como isso não acontece, todo mundo segura o petróleo debaixo da terra.

Isso vale não só para o petróleo, mas também para qualquer tipo de commodity não-renovável. Por isso que mesmo que os estoques de minerais e petróleo não estejam subindo, isso não quer dizer que a teoria não é verdadeira. Talvez os produtores simplesmente estejam reduzindo a oferta do produto, eliminando o “middle guy”.

A política monetária expansionista do FED deve ser, portanto, um dos culpados pela explosão no preço das matérias-primas.

Marcadores: ,

04 Junho, 2008

O COPOM e as Metas

Às vésperas de uma reunião do COPOM para a tomada de decisão da nova taxa de juros da Economia, o tema fica em foco mais uma vez. Minha intenção aqui no meu primeiro post no Rabiscos é falar sobre as metas de inflação. Como é o tema que irei abordar no meu projeto de conclusão de curso, posso aproveitar algo aqui.

A causa da preocupação crescente quanto à estabilidade de preços não surgiu devido à menor preocupação com desemprego ou assuntos relacionados, ou então que devido ao fato de que esses outros objetivos tivessem se tornado menos urgentes. Surgiu porque economistas e políticos estão consideravelmente menos confiantes hoje do que há 30 anos atrás quanto à utilização da política monetária para moderação das flutuações de curto-prazo na economia. Além do mais, muitos economistas concordam que no longo prazo a única variável afetada por política monetária é a taxa de inflação.

Mas no que consiste o instrumento Metas de Inflacão? Segundo Mishkin:

i) Primeiramente cabe ressaltar que ela depende de um anúncio público da meta oficial a ser buscada pelo Banco Central.

ii) Um comprometimento institucional com a estabilidade de preços como um objetivo principal ao qual os outros objetivos estão subordinados.

iii) Algumas variáveis e não apenas agregados monetários são usados para decidir os instrumentos de política

iv) Plena transparência da estratégia de política monetária através da comunicação com o público e o mercado sobre os planos, objetivos e decisões pelas autoridades monetárias

v) Prestação de contas do Banco Central para atender seus objetivos para com a inflação

Dá para dizer ser um consenso que até taxas de inflação moderadas são perigosas para a economia e sua manutenção passa a ser fundamental, inclusive para atingir outras variáveis com a política, como desemprego, etc. Isso nos mostra a necessidade de controle da variável, visto que, devido sua fundamental importância, ela deve ser tratada no primeiro plano de políticas monetárias. O sistema de metas de inflação tem demonstrado relativo sucesso nos países em que foi implementado, sendo que no Brasil, finalmente teve-se a impressão dos preços estar sob controle, chegando em meados de 2007 a variação acumulada em 12 meses do IPCA estar em torno de 3%.

Esses tempos passaram. Hoje a inflação está acima da meta, embora ainda respeite a banda de flutuação permitida de 2%. O problema que isso causa é a menor credibilidade que o Banco Central gera para si. A credibilidade é fundamental para essa política, tendo em vista que os formadores das políticas devem saber “jogar” com os agentes e ter a seu favor o máximo de estabilidade para se tomar as decisões, garantindo que as mesmas surtam algum efeito. E isso só se consegue com alta dose de credibilidade.

Desde o começo do ano estamos com a inflação acima, e era alegado que a inflação costuma ter um comportamento sazonal no mês de dezembro devido ao décimo terceiro salário e compra de material escolar. E isso acabou “mascarando” um pouco o problema real, e ele se estende até os dias de hoje. E já estamos na metade de 2008.

Tendo em vista a dificuldade de se fazer uma política fiscal contracionista num país como o nosso (informações sobre o nosso país no último post do Guilherme), que para mim seria o ideal para amenizar o problema dos preços, a reunião do COPOM ganha maior destaque, pois nela está a responsabilidade pela contenção da inflação. Isto é, aumentando a taxa de juros. Baseados em indicativas de que a taxa irá mesmo aumentar, resta saber quanto. Saberemos amanhã.

Marcadores:

01 Junho, 2008

Jornalistas selvagens preservando a Mentalidade da Selva.

O Fantástico fez uma reportagem de meia hora sobre a compra de terras na Amazônia por estrangeiros. Os jornalistas da selva deram um clima de investigação policial para a reportagem, pois a Abin estaria investigando as atividades de uma ONG administrada por um sueco cheio da grana, que estaria comprando terras na Amazônia, com o intuito de preserva-la. Até a questão de “um novo colonialismo” foi levantada. O tom da reportagem foi baseado no que o Bryan Caplan chama de viés contra o estrangeiro, pois os jornalistas querem dar a impressão de que os “estrangeiros” estariam tentando “roubar a amazônia” do Brasil. Teve até uma musiquinha de suspense e tudo mais.

Mais do que isso, foi levantada a velha questão de que a Amazônia corre perigo ao cair em mãos privadas. Que se as terras forem vendidas a entidades privadas, a Amazônia vai desaparecer.

Algumas coisas que eu gostaria de esclarecer aos jornalistas da Selva:

1º Digamos que os estrangeiros queiram roubar a Amazônia. Nesse caso, de que adianta comprar terras? Como eles vão roubar as terras? Como? No momento em que o governo quiser pega-las de volta, é só ele PEGAR DE VOLTA. Ele tem mais armas do que todo mundo. Da pra fazer da mesma forma que a Bolívia fez ao roubar a usina da petrobrás que estava em terras bolivianas. É rídiculo pensar que estrangeiros vão “conquistar” um país por meio de aquisições regidas por contratos que são garantidos EXATAMENTE PELO GOVERNO DO PAÍS QUE SE PLANEJA DOMINAR.

2º A ÙNICA FORMA de preservar a Amazônia é JUSTAMENTE vendendo suas terras a privados. Quarta-Feira passada estava conversando com meu professor Ronald Hilbrecht do blog Escolhas e Conseqüencias e ele disse justamente isso. O Lula disse que a Amazônia tem dono. Segundo ele seria o “povo brasileiro”. Acredito que uma afirmação equivalente seria a de que a Amazônia pertence ao “Brasil”. Essa afirmação pode ser usada em um discurso bonito para fins de retórica. Mas a realidade é que “Brasil” e “povo brasileiro” são meras abstrações mentais. DE FATO, a Amazônia não possui um dono. As terras pertencem “ao governo brasileiro”, ou seja, elas são públicas. Na prática isso quer dizer que não existe um dono. E todos os economistas sabem o que acontece quando se deixam recursos escassos “na mão do público”.

A TRAGÉDIA DOS COMUNS.

Quando deixamos uma floresta sem dono, qualquer um que quiser pode extrair a madeira dela. Na prática é assim na Amazônia, pois o governo não faz e nem consegue fazer uma fiscalização eficaz. Bem, dado que as árvores não tem dono, se você é dono de uma madeireira o que você faz?

a) corta o máximo de árvores que você pode, no limite acabando com a floresta;
b) economiza as árvores, cortando uma quantidade, que permita a floresta crescer novamente para que se possa realizar um novo corte no futuro;

É óbvio que se a floresta não tem dono, você irá escolher a opção “a”. Se você poupar árvores é provavel que outras madeireiras entrem nessa floresta e cortem o que você não cortou, ou seja, não existem garantias que o seu plano, de economizar árvores, irá ser respeitado pelas demais pessoas. Ou seja, você NÃO TEM INCENTIVOS para preservar parte da floresta.

Imaginem agora que você é dono da floresta. Dessa forma ninguém além de você pode desmatar a floresta. Nesse caso, é óbvio que a opção “b” é a que você deve escolher. Preservando parte da floresta você irá preservar a sua fonte de renda. Se você desmatá-la completamente, você irá “matar a galinha dos ovos”. É exatamente por isso que, por exemplo, um fazendeiro não mata todo seu rebanho de uma vez só. É necessário preservar uma quantidade de gado para possibilitar a perpetuação do rebanho que é a fonte de renda do empresário.

Portanto, é só quando a propriedade tem um dono DE FATO que os ativos dessa propriedade são preservados. O dono fará um uso RACIONAL da terra, das árvores, dos animas e etc.

3º A outra questão é que, no caso do sueco, não estava nem se discutindo o desmatamento da floresta. Segundo o empresário, o que ele queria fazer era apenas preservar a floresta. Preservar por preservar. “Eu gosto de árvores” disse ele. Esse é outro ponto importante, pessoas que acreditam que a Amazônia é “pulmão do mundo” e que também possuem muito dinheiro para desperdiçar, poderiam comprar terras lá e gastar dinheiro do próprio bolso para impedir que se desmate. Tais indivíduos seriam muito mais eficazes no combate ao desmatamento do que burocratas brasileiros.

Essa reportagem é emblemática. Imaginem o dano que ela causou. O preconceito contra o estrangeiro é um dos grandes males do mundo. No Brasil esse preconceito é especialmente forte. O Fantástico só o reforçou.

O Brasil é a Selva dentro da selva. Eu não esperava menos.

Marcadores: , ,

Aviso

Eu, Philipe, tive um problema de saúde e acabei na mesa de cirurgia. Ando me recuperando, mas não tenho previsão para voltar ao blog. O Guilherme, por sua vez, anda estudando pra Anpec e também não sabe quando retorna. Assim, agradecemos o apoio de todos e quem sabe um dia nos encontramos por aí.

24 Maio, 2008

Santa ignorância!

"No "Valor" de hoje, o previsível Armando Castela PInheiro analisa a nova política industrial (na verdade não é apenas industrial, já que inclui o setor de serviços)"
Claro, a indústria agora só produz bens tangíveis! O sujeito nem sabe o que é uma indústria e se gaba todo; ê laiá.

Marcadores: ,

22 Maio, 2008

Aos assassinos da Equivalência Barro-Ricardiana

Aviso: o post assumidamente contém algumas falhas analíticas. No geral, eu o considero verdadeiro.

A Equivalência Ricardiana é uma teoria polêmica. Nos livros de macroeconomia de graduação, seja do Mankiw ou do Dornbusch, ela é apresentadada rapidamente e, com a mesma rapidez, é descartada. “Sua comprovação empírica deixa a desejar”, dizem eles.

Entretanto, será que o que ela diz é tão absurdo assim?

Robert Barro foi o economista que ressuscitou a teoria. No seu artigo escrito em 1974, Barro queria responder a seguinte questão: Será que títulos da dívida do governo constituem riqueza líquida?

Se pensarmos a respeito, percebemos que é de fato uma questão relevante. Você compra um título de dívida esperando receber, no futuro, o valor principal mais um rendimento. Será que faz diferença se esse título é privado ou público? Na opinião do autor faz diferença sim. Se este título é privado, se você adquiriu de uma empresa por exemplo, podemos dizer que, de fato, este título aumenta sua riqueza líquida. Isso porque, tudo ou mais constante, pouco importa para você como a empresa fará para honrar o título emitido. Faça o que ela fizer, essa ação não deverá afetar você diretamente. Você reberá seu dinheiro no final, como o combinado.

Imagine agora se o título que você comprou é público. Será que você pode considerá-lo como riqueza? A resposta que a teoria dá é um sonoro não! Isto acontece porque o dinheiro que o governo terá que arranjar para honrar o título emitido terá que vir de algum lugar. Mais especificamente, ele terá que vir do seu próprio bolso. Pense um pouco. De onde o governo arranja dinheiro? Ao contrário de nós, o governo não obtém recursos produzindo algo de útil para vender no mercado. O governo não produz nada de útil, exceto talvez bens públicos que, de qualquer forma, não podem ser negociados no mercado e, portanto, não geram recursos para o governo pelo mercado. Pois então, meus amigos, como vocês já devem ter imaginado, a única forma do governo obter recursos é através de impostos (inflacionário ou não).

Se pensarmos assim, como é que alguém pode acreditar que títulos públicos constituem riqueza líquida?

Ora, se o governo tomou dinheiro emprestado, ele terá que pagar esse empréstimo algum dia e, nesse dia, inevitavelmente ele terá que elevar impostos.

Será que isso soa tão ridículo? Será que isso não contém um fundo de verdade? Existe uma outra alternativa para o governo? Eu pessoalmente acredito que não. A teoria ressuscitada por Barro é muito verdadeira, a princípio.

O problema que alguns economistas encontram com tal teoria não é a sua lógica interna, mas sim suas implicações. As implicações da Equivalência Ricardiana são fortes demais. Se acreditamos nela, então não deverá haver uma diferença entre financiar os gastos do governo com aumento de impostos ou emissão de dívida.

Entretanto, esta implicação necessita a existência de algumas característiscas especiais a respeito dos consumidores, dos gastos do governo e também do mercado de crédito. Se a dívida for vencer em um prazo muito longo, talvez não faça diferença para o credor se o governo aumentará os impostos num futuro distante ou não. Da mesma forma, os gastos do governo ao longo do tempo devem ser constantes. E, finalmente, como alguns leitores comentaram no post anterior, não deve existir restrição de crédito e o mercado de crédito deve ser eficiente. Se as taxas de juros forem diferentes para os consumidores e governo, então a equivalência não será perfeita.

É verdade que essas características não estão sempre presentes na realidade. Embora não exista uma presença perfeita delas, certamente elas existem em um certo nível. Portanto, acredito que a Equivalência Ricardiana funcione, ainda que não perfeitamente. E portanto, acredito que, de fato, não existe uma grande diferença entre o financiamento do governo através de impostos ou emissão de dívida.

Além disso, mesmo que suas implicações possam nem sempre ser comprovadas, o argumento fundamental permanece verdadeiro: Emissão de dívida implica em aumento de carga tributária no futuro. Títulos fundamentalmente não constituem uma “outra forma” de arrecadar recursos, simplesmente significa empurrar mais impostos para o futuro.

Não é porque devemos “para nós mesmos” que a dívida pública é menos ruim. A lição básica que devemos aprender com essa teoria é a lição que Milton Friedman nos ensinou: “Não existe almoço de graça”. No final das contas, quanto mais o governo gasta, mais impostos teremos que pagar e, consequentemente, teremos menos para gastar.

Ps: Aqui um texto legal sobre a equivalência e também uma entrevista com o Robert Barro.

Marcadores: , , , , ,

19 Maio, 2008

Barro, Ricardo e consumo

A idéia da equivalência Barro-Ricardiana nos diz que, seguindo certos pressuspostos, os consumidores não aumentarão o seu consumo em resposta a uma renúncia fiscal por parte do governo. Isso se daria devido ao fato de que as pessoas sabem que o déficit gerado teria que ser pago no futuro, e que isso significa necessariamente um aumento na taxação mais pra frente.

Recentemente, na tentativa de aquecer a economia, o governo dos EUA enviou um cheque de 600 dólares para os americanos que declararam imposto de renda no último ano. A bolada total foi de 150 bilhões de dólares, quantia esta que estaria disponível para o deleite dos consumidores. Seguindo a idéia de Barro-Ricardo, o pessoal entenderia que esse déficit teria que ser coberto no futuro, fazendo com que essa renda excepcional não fosse gasta, mas sim poupada para poder pagar os impostos por vir.

A fato, no entanto, é que isso raramente ocorre:

What did 2001 tax payers actually do months after they got their cheque from the government? According to David Johnson, Jonathan Parker and Nicholas Souleles, they spent it. The authors found the average household spent 20 to 40% of their rebate within three months of receiving it on non-durable goods (that does not include Hermes blankets). Two thirds of the average rebate was spent within a quarter of receipt. Lower income groups spent a larger fraction of their rebate.

São muitas as razões para a não-verificação da equivalência de Barro-Ricardo, mas o fato de que o consumo do rebatefoi maior entre as pessoas de menor renda me deixou curioso. Por que será que isso ocorreu? Pode ser que pessoas de menor renda tenham que satisfazer necessidades mais urgentes como alimentação e saúde, gastando o que ganham sem pensar nas conseqüências futuras. Afinal, do que adianta se importar com o amanhã se eu vou morrer de fome? No entanto, talvez isso ocorra por que o financiamento do déficit gerado seja mascarado pelo governo. É possível, por exemplo, que o aumento futuro da taxação para cobrir o déficit gerado se dê através de impostos indiretos sobre bens cuja demanda é inelástica, fazendo com que as pessoas confundam inflação com aumento de preço.

Marcadores: , ,