Rabiscos Econômicos

08 Julho, 2009

Discriminação - Qual?

Aprendemos nos estudos de Microeconomia que o monopolista discrimina preços, seja de acordo com as elasticidades dos demandantes, seja pela disposição dos mesmos a pagar (discriminação perfeita de preços). Não estou aqui para falar do monopolista de bens ou serviços, mas pelos monopolistas da falcatrua, o Senado.

Quando se tem alguma nova tecnologia sendo constantemente utilizada e que veio para facilitar a vida das pessoas, isso deveria ser considerado algo bom. Acontece que na selva as coisas acontecem sempre de maneira deturpada, geralmente para o lado ruim. É prática comum dos bolivarianos da selvageria política brasileira impedir tudo que é produtivo, decente e benéfico para a sociedade de acontecer.

O problema sério disso tudo é que lendo essa matéria da Folha de São Paulo vemos o quão discriminatório é esse “órgão”. E não se mencionou aqui sequer o título da matéria, a discriminação é outra. É o velho problema da inconsistência ideológica que sofrem o pessoal mais chegado na heterodoxia, isto é, o seu argumento carrega consigo a própria refutação da sua teoria.

Dessa vez, a discriminação está na seguinte passagem: "Hoje os preços estão inflados por causa dos custos que as operadores cobram para credenciamento, aluguel de máquinas etc. Não é justo quem paga com dinheiro ou cheque também arcar com essas cobranças". Assim como não é justo a empregada doméstica pagar R$2,30 para uma passagem de ônibus em Porto Alegre sendo que ela tem uma renda muito inferior ao estudante de Administração da PUC (só um exemplo de quem provavelmente tem dinheiro sobrando) pagar a metade disso. Mas porque uma “teoria” é aplicável pra alguns casos e outro não? A política brasileira fede e isso não é novidade para ninguém.

O custo de uma entrada para o cinema ou passagem de ônibus seriam substancialmente mais baixas caso não houve discriminação de preços para estudantes, que em sua maioria têm, de fato, dinheiro suficiente para pagar a passagem ou entrada completa.

Quanto ao caso específico da matéria, a medida parece ser incabível porque as empresas são livres (creio) para escolher se elas querem ou não disponibilizar pagamentos a crédito. Mais do que isso, elas estão cientes dos custos de aceitar esse método de pagamento, ou seja, elas utilizam conscientemente, e provavelmente encarecem os produtos. Os consumidores sabem que para ter direito de usar o cartão eles devem pagar mais por isso, logo, eles podem decidir usar ou não. Os consumidores são price-takers, se em um supermercado os preços são abusivos, os consumidores cientes disso não irão fazer suas compras nele, fazendo com que os preços do mercado caiam para evitar o risco de falência e assim por diante.

Por fim, penalizar os utilizadores de cartões de crédito por um simples capricho da trupe do Lulinha é sacanagem. Além do mais, “jogar pra t+1” é uma das melhores invenções da humanidade. Vale dizer, t+1 nunca chega!

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21 Junho, 2009

Chaves e Quico atingem o Equilíbrio de Bertrand



Nesse episódio Chavez e Quico concorrem pela Chiquinha como cliente. O mercado de Refrescos na vila é um duopólio onde o produto é um bem homogêneo (ambos os produtores produzem sucos que são de Tamarindo, parecem de Groselha, mas tem gosto de Limão), portanto, a concorrência se dá via preço. O resultado é o Equilíbrio de Bertrand (preço igual ao custo marginal), que, no caso do Quico e do Chavez, é igual a zero. Dado que os bens são homogêneos, o produtor que tiver o preço mais baixo irá tomar conta de todo o mercado (no caso a Chiquinha) e o outro não venderá nada. Dessa forma, o resultado irá convergir para o mínimo possível. Esse resultado é o mesmo do modelo de concorrência perfeita, onde existem muitos produtores e consumidores.

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22 Maio, 2009

O Ocidente salvou o mundo da Escravidão.

Volta e meia eu ouço a velha história de que a suposta “raça branca” (seja lá o que essa bobagem quer dizer) tem uma dívida histórica com a “raça negra” (seja lá o que isso quer dizer). Afinal de contas, dizem eles, os “brancos” escravizaram os “negros” durante vários séculos. Portanto, é lógico que os que escravizaram devem alguma reparação a quem foi escravizado.

Sem querer entrar no mérito de como reparar alguém que já morreu a muito tempo tirando algo de alguém que também já morreu a muito tempo (a menos que vocês conheçam um ex-escravo ou um ex-dono de escravos que esteja vivo), ainda sim essa história me parece não ter nenhum cabimento. Pra falar a verdade, são exatamente os “candidatos a escravos” que devem muito a Cvilização Ocidental. Deixe-me explicar:

Em primeiro lugar, a escravidão não foi inventada por “europeus brancos”. E não foi mesmo. A escravidão é uma das instituições mais antigas da humanidade (tão antiga quanto a Bíblia Sagrada) e foi praticada por virtualmente todas as civilizações que habitam ou já habitaram este planeta. Quase todos os povos já escravizaram ou foram escravizados por outros povos. Havia até mesmo escravidão por dívida cometida entre a própria civilização. Negros escravizaram negros, brancos escravizaram brancos, brancos escravizaram africanos e africanos escravizaram brancos. Sim, isso mesmo que eu escrevi. Norte-Africanos escravizaram brancos do Meditarrâneo por volta de 1530 a meados de 1700, vá pesquisar a respeito. Portanto, a escravidão nunca foi a respeito da raça, mas sim de submissão do militarmente mais fraco. Os romanos tinham o hábito escravizar os povos conquistados, por exemplo.

Se por um lado não foram os “europeus” ou os Ocidentais que inventaram a escravidão, por outro foram apenas eles que decidiram acabar com ela. Exatamente. A escravidão acabou em primeiro lugar na Europa Ocidental, com o advento do Cristianismo. A moralidade cristã, principalmente a idéia de que todos os homens foram criados iguais perante Deus, foi uma das mais poderosas armas anti-escrivadão. Aliás, até hoje é esse o princípio por trás da proibição da escravidão (afinal, eu nunca vi nenhum argumento “materialista-evolucionista-darwiniano” que fosse anti-escravidão, muito pelo contrário. Do ponto de vista simplesmente materialista, não há nenhuma objeção em subjugar o mais fraco).

Finalmente, foi justamente um movimento cristão evangélico (promovido pelos Quakers) na Inglaterra, durante a Revolução Industrial, que fez campanhas e conseguiu banir a escravidão da Inglaterra e de suas colônias, além de proibir o tráfico de escravos em geral (não apenas dos ingleses). O cristianismo, uma das bases da civilização Ocidental, por si só e também influenciando outros pensadores liberais clássicos, conseguiu tornar a escravidão ilegal em todos os países onde foi dominante.

Isso definitivamente não é pouca coisa. Conseguir abolir uma das mais antigas instituições da humanidade, e que era extremamente comum entre todos, não é uma tarefa fácil. A declaração de independência e a constituição Americana juntas afirmavam o fato totalmente contra intuitivo de que todos os homens foram criados iguais e, por conseqüencia disso, tem igualmente o direito à liberdade, à vida e a busca da felicidade. Mesmo sendo guiado por esse princípio, os EUA só conseguiram abolir a escravidão em todos os seus estados através de uma guerra civil que matou 600 mil americanos.

Abolir a escravidão foi um feito inédito por dois motivos. Primeiro porque, como já foi dito, ela era uma das instituições mais antigas da humanidade e segundo porque foi a decisão de abolir tal instiuição foi tomada pela civilização dominante. Pense a respeito. É muito fácil abolir a escravidão sendo uma nação ou povo fraco militarmente. Nesse caso, a escravidão não é praticada por incapacidade e não por falta de vontade. Entretanto, a Civilização Ocidental até hoje é a que domina não só militarmente, mas também culturalmente o mundo todo. A princípio, não haveria nenhuma vantagem em abolir a escravidão.Ela poderia muito bem continuar, dominando povos que não conseguem se defender. Foram apenas os principios e valores morais que fizeram com que a abolição se tornasse uma necessidade vital e que criou uma repulsa a qualquer prática de escravidão, de tal forma que hoje mesmo brancos acabam esquecendo disso e inventam essa suposta “dívida histórica” com os escravos do passado.

Pra mim isso é um absurdo. Se alguém tem que agradecer a alguém são os povos que, só foram libertados da escravidão, porque as idéias do Ocidente acabaram chegando a seus países, como por exemplo no continente africano, que praticava (e em alguns países pratica até hoje) a escravidão, mas que terminou graças ao Cristianismo e suas influências no pensamento Ocidental.

19 Março, 2009

Ninguém tem o direito de não ser ofendido.

Se você torce pro são paulo, flamengo, fluminense ou corinthians, problema é seu. Se você gosta de pizza de quatro queijos ou de calabresa não é da conta de ninguém. Preferências que dizem respeito somente a você e mais ninguém, por mais estranhas que possam parecer, não podem ser coibidas por privados ou por governos. 

Em uma sociedade aberta, esse é um dos privilégios que possuímos. Não interessa o quanto ofensivo seja para alguém o fato de eu acreditar em Deus ou torcer para o Grêmio, ninguém pode me proibir de acreditar ou torcer. Se você quiser, pode chamar isso de um direito seu. 

Esse discurso de tolerância é muito bonito e, pelo fato de ser quase que universalmente aceito, tornou-se um clichê. Entretanto, existe uma implicação desse discurso cuja a popularidade não é tão grande. O "direito" de torcer para o Grêmio e acreditar em Deus impõe uma condição de que eu não possa proibir a existência de ateus e colorados. Por mais que essas duas preferências me ofendam, eu tenho que tolerar a existência de ambas. 

Se tivêssemos que criar uma frase que sintetizasse essa implicação seria mais ou menos assim:

"Ninguém tem o direito de não se sentir ofendido". 

É exatamente isso que a maioria das pessoas não aceitam. Acredito que, talvez, não seja de tão fácil aceitação por se tratar de uma limitação. E limitações são impopulares. 

A doutrina do politicamente correto parece querer negar essa afirmação. Melhor dizendo, ela gostaria de negar parcialmente. A idéia é impor aos "outros" essa proibição, mas deixar o seu próprio discurso livre. Por mais que um discurso pró-feminismo, pró-gayzismo ou antiamericano possa me deixar contrariado, não me é permitdo argumentar contra, pois isso é "politicamente incorreto". A volta, no entanto, não é válida. Não me é permitido advogar o Cristianismo como a única religião verdadeira, pois isso pode ofender os "defensores da diversidade religiosa". Os deveres que a tolerância impõe são válidos apenas para os que vão contra a ideologia por trás da doutrina do politicamente correto.

Em uma sociedade livre o Governo deveria resguardar o direito de todos terem suas preferências pessoais respeitadas e também resguardar a máxima que diz que ninguém tem direito de não ser ofendido. A tolerância de suas preferências são contingenciadas pela sua tolerância em relação as preferências dos outros. O Estado, tenha ele uma religião oficial ou não, não deveria promover propaganda anti-religiosa, nem propaganda pró-religião, da mesma forma que ele não deveria promover propaganda a respeito de nenhuma preferência. 

O Governo brasileiro, no entanto, acaba de mostrar mais uma vez que não tem inteções de preservar a tolerância. Seguindo a ideologia por trás do "politicamente correto", o Ministério da Cultura acaba de lançar um edital para "produções do setor gay". Isso mesmo. A ideia, segundo a reportagem,  "é reconhecer projetos que tenham contribuído para o combate à homofobia e para o aumento da visibilidade e da valorização do setor LGBT". 

Entenderam? O Governo acredita que o setor LGBT (Lésbicas Gays Bissexuais e trangêneros) deve ser "valorizado". Note bem, ninguém aqui quer negar os direitos dos individuos de seremdo "setor LGBT". Jamais negaríamos isso. A preferência sexual de cada um é um assunto privado. 

Exatamente por se tratar de um assunto privado é que o Governo comete um grande erro em querer "valorizar" esse setor. O subsídio ao homosexualismo, através de financiamento de filmes que propagandeiam o gayzismo é tão grotesco quanto o subsídio ao combate o homosexualismo. O Governo não tem o direito defender nenhuma preferência sexual. 

O Políticamente Correto quer inverter a lei, criando "classes" de indivíduos. Um sujeito que é gay acabaria tendo direitos especiais, entre eles, o direito de não ser ofendido. As pessoas que não gostam de homossexuais, mas que toleram sua existência, perdem direitos, pois não podem mais expressar pacificamente suas opiniões a respeito de uma determinada preferência de um determinado grupo.

Para o bem ou para o mal, ninguém e absolutamente ninguém tem o direito de não ser ofendido.

10 Fevereiro, 2009

Sabedoria comunista

Meu Deus!

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06 Fevereiro, 2009

A Liberdade vai reinar na América.

No ano de 1776 um grupo de profissionais liberais, fazendeiros, comerciantes se reuniram na Filadelfia, uma cidadezinha localizada em uma próspera colônia inglesa no hemisfério norte do novo mundo. Nesse lugar eles assinaram a declaração de independência das treze colônias britânicas que, a partir daquele momento, iriam constituir os Estados Unidos da América. Mais do que a independencia de um país, aqueles homens formalizaram pela primeira vez algo que já era "auto-evidente" para muitos. A idéia de que cada ser humano foi igualmente criado por Deus e que, exatamente por isso, todos tem direito a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Porque nenhum nobre, burocrata ou oficial do governo tem o direito de interferir no que você escolhe para si mesmo e para sua família. Ninguém tem o direito de dizer como você deve conduzir a sua vida, pois ela foi dada a você por Deus e por mais ninguém.



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01 Fevereiro, 2009

Curso de "Aprenda como se faz", com Luiz Inácio

Como tenho sempre falado por aqui, os governos sempre fazem de tudo para piorar aquilo que já está suficientemente ruim. Nisso, o governo sempre é mais eficiente que qualquer entidade privada. O último comentário neste blog já disse bastante sobre isso. Mark Perry ilustrou bem o ceticismo sobre o plano que compartilho com ele.

Agora temos um exemplo do nosso governo. É consenso entre economistas sérios que salário mínimo gera desemprego, facilmente explicado neste vídeo(até para os não-economistas e economistas não sérios também entender sobre o assunto).

Embora os dados de desemprego estejam indicando uma boa performance atual, de 6,8%, as empresas já começaram a dispensar funcionários e a tendência é de aumento. Tudo que o governo não precisava fazer era incentivar políticas que desincentivem a geração de empregos. Mas como disse outro dia numa conversa com o Philipe Berman e Guilherme Stein (leitores deste blog o conhecem bem), aquilo que é economicamente correto parece ser sempre politicamente incorreto. Assim realmente vai ser difícil sair da crise.

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30 Janeiro, 2009

O que realmente interessa - Vamos gastar!

Olhando os dados que o sempre preciso Mark Perry disponibilizou no Carpe Diem eu tive a confirmação (mais uma) de que esse estímulo fiscal é no mínimo estranho. Como queremos gerar emprego estimulando algo que não precisa de estímulo? É como o sujeito combinar de sair pra jantar com a Gisele Bündchen e ela levar a Ana Hickmann junto. Precisa tanto? Já tínha o suficiente.

Não bastasse isso, hoje saiu o relatório do Bureau of Economic Analysis(pdf) sobre o PIB dos Estados Unidos. E advinhem, o dado mais legal de ser olhado não foi o "crescimento" de -3,8% e sim o comportamento dos últimos 4 anos dos gastos governamentais e privados.


Como se pode ver na tabela, ao longo de 16 trimestres, em 9 deles houve diminuição do investimento privado e em 2 deles houve diminuição do investimento e consumo público.

Não bastasse o Bailout e o estímulo, agora esses dados nos mostram o quanto os Estados Unidos realmente precisam de uma pessoa séria no comando para ajeitar a casa. Que bom que ele chegou.

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30 Outubro, 2008

E os Mercados se ajustam...

15 Outubro, 2008

Sabedoria política

Começo, invocando Vossa Majestade Luis Inácio Lula da Silva:


Lula está certo, não devemos pagar por aquilo que os ricos causaram. Afinal, nunca dependemos deles para nada. Alguém se lembra de como foi o financiamento do milagre econômico? De onde tiraram dinheiro para crescer a mais de 10% ao ano de 1967 a 1973? Eu tenho uma hipótese. Talvez tenha sido do exterior. Empréstimo de países ricos. Taxas de juros baixas, prazos compatíveis com as necessidades do país de crescimento. Mas isso é apenas minha hipótese.

Durante muito tempo, essa foi a política do país. Desfrutamos de abundantes capitais dos países desenvolvidos e assim pudemos financiar nosso crescimento. Eu até acho que é desnecessário eu continuar explicando essas coisas, pois já ficou claro. Este pronunciamento do liustre presidente do país é apenas mais um para sua futura coleção no wikiquote. O que ele não sabe é que os “nossos países reconstruíram suas economias com grande esforço” com umaa condição necessária, da participação dos países desenvolvidos. O que ele disse é mais ou menos o seguinte: nunca precisamos deles, agora eles querem nos ferrar?

Um pouco de informação faz bem. E nem digo pelo presidente propriamente, porque ele não sabe ler, então a culpa não é dele, coitado. Mas as pessoas que dão assessoria a ele nesses congressos deveriam avisá-lo da profunda dependência dos países desenvolvidos por parte dos emergentes. É injusto isso, seu presidente? Devolve o crescimento, então.

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