Discriminação - Qual?
Quando se tem alguma nova tecnologia sendo constantemente utilizada e que veio para facilitar a vida das pessoas, isso deveria ser considerado algo bom. Acontece que na selva as coisas acontecem sempre de maneira deturpada, geralmente para o lado ruim. É prática comum dos bolivarianos da selvageria política brasileira impedir tudo que é produtivo, decente e benéfico para a sociedade de acontecer.
O problema sério disso tudo é que lendo essa matéria da Folha de São Paulo vemos o quão discriminatório é esse “órgão”. E não se mencionou aqui sequer o título da matéria, a discriminação é outra. É o velho problema da inconsistência ideológica que sofrem o pessoal mais chegado na heterodoxia, isto é, o seu argumento carrega consigo a própria refutação da sua teoria.
Dessa vez, a discriminação está na seguinte passagem: "Hoje os preços estão inflados por causa dos custos que as operadores cobram para credenciamento, aluguel de máquinas etc. Não é justo quem paga com dinheiro ou cheque também arcar com essas cobranças". Assim como não é justo a empregada doméstica pagar R$2,30 para uma passagem de ônibus em Porto Alegre sendo que ela tem uma renda muito inferior ao estudante de Administração da PUC (só um exemplo de quem provavelmente tem dinheiro sobrando) pagar a metade disso. Mas porque uma “teoria” é aplicável pra alguns casos e outro não? A política brasileira fede e isso não é novidade para ninguém.
O custo de uma entrada para o cinema ou passagem de ônibus seriam substancialmente mais baixas caso não houve discriminação de preços para estudantes, que em sua maioria têm, de fato, dinheiro suficiente para pagar a passagem ou entrada completa.
Quanto ao caso específico da matéria, a medida parece ser incabível porque as empresas são livres (creio) para escolher se elas querem ou não disponibilizar pagamentos a crédito. Mais do que isso, elas estão cientes dos custos de aceitar esse método de pagamento, ou seja, elas utilizam conscientemente, e provavelmente encarecem os produtos. Os consumidores sabem que para ter direito de usar o cartão eles devem pagar mais por isso, logo, eles podem decidir usar ou não. Os consumidores são price-takers, se em um supermercado os preços são abusivos, os consumidores cientes disso não irão fazer suas compras nele, fazendo com que os preços do mercado caiam para evitar o risco de falência e assim por diante.
Por fim, penalizar os utilizadores de cartões de crédito por um simples capricho da trupe do Lulinha é sacanagem. Além do mais, “jogar pra t+1” é uma das melhores invenções da humanidade. Vale dizer, t+1 nunca chega!
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