Rabiscos Econômicos: Testando a hipótese de convergência para membros da OECD

03 Março, 2007

Testando a hipótese de convergência para membros da OECD

A OECD, em inglês, quer dizer Organization for Economic Co-operation and Development. Essa organização é constituida de 30 membros (veja você mesmo quais são) que se reúnem para comparar experiências no que tange políticas públicas, buscando identificar práticas governamentais que foram bem sucedidas. Além disso, também buscam coordenar suas políticas domésticas e externas.

Clubes como esse podem ser testáveis para convergência. A maioria dos países que participam adotam práticas semelhantes e, portanto, podemos investigar a existência de uma convergência condicional entre tais países. Os que forem pobres tenderão a crescer mais rápido do que os que são ricos, exatamente como o modelo de crescimento neoclássico prevê.

A experiência que eu realizei envolveu 28 dos 30 países-membros. Eu exclui Luxemburgo e Islândia, pois não encontrei dados suficientes para estes lugares. Para testar a hipótese, nós observamos qual é o nível de renda per capita no começo do período e o crescimento médio do mesmo ao longo do período analisado. Por motivos que serão explicado a seguir, o período analisado vai de 1995 até 2007. Os dados foram obtidos a partir do banco de dados do FMI, onde os valores apartir de 2005 são estimados. Os países analisados, com seus respectivos valores, foram os seguintes:
No eixo vertical se encontra o crescimento médio do PIB per capita e na horizontal é o PIB per capita de 1995. O resultado obtido foi o seguinte:
Observamos, portanto, que o nível do PIB per capita em 1995 não consegue explicar muito bem por si só os respectivos crescimentos dos países estudados. Alguma coisa falta. Decidi então testar a hipótese de que os países que adotassem reformas liberalizantes durante esse período, tenderiam a convergir mais rápido e melhor do que países que não o fizessem. Isso aconteceria porque países mais livres atraem poupança e seu investimento, seja externo e/ou interno, aumentaria a taxa de acúmulo de capital e de crescimento econômico. Para testar isso, busquei a série de dados do Index of Economic Freedom para todos os países em questão. A série ia de 1995 até 2007. Ao inserir essa variavel na regressão, me ocorreu uma outra idéia: países que obtiveram um aumento na produtividade da mão-de-obra devido a, por exemplo, fatores tecnológicos iriam crescer mais rápido do que os que não tiveram tal aumento na produtividade. Dessa forma, busquei os dados de produtividade dos países em questão no próprio site da OECD e calculei o aumento médio de produtividade no período analisado.

De posse do nível do PIB per capita no começo do período, do crescimento médio de liberdade econômica (obtido através do site da Heritage Foundation) e do aumento médio da produtividade do trabalho nos países em questão, montei a equação para tentar ver se a previsão do crescimento médio do PIB per capita seria semelhante ao crescimento médio real. O resultado que obtive foi o seguinte:



Como se pode ver, a introdução das outras duas variaveis aumentou o poder de explicação de maneira significativa, o que mostra que pode ser verdade que o aumento na liberdade econômica fazem os países convergirem mais rápido. Os coeficientes que correspondem a liberdade econômica e a produtividade do trabalho mostram que tais variaveis contribuem positivamente para o crescimento econômico, enquanto que o estado inicial do país apresenta uma relação inversa para o crescimento, mostrando assim que a hipótese de convergência é uma possibilidade.

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