Rabiscos Econômicos: O que a falta de atenção não faz

06 Junho, 2007

O que a falta de atenção não faz

Tenho uma opinião muito clara com relação à ocupação da reitoria da UFRGS por parte de alguns alunos: sou totalmente contra. Os ocupantes dizem apoiar a ocupação que ocorre na USP há quase um mês, e também reinvidicam que o reitor José Carlos Ferraz Hennemann tome posição em relação a alguns pontos (obviamente que "tomar posição" significa concordar com os ocupantes).

Pelo que pude perceber desde a última segunda-feira, quando alguns alunos já distribuíam panfletos sobre uma manifestação que ocorreria no dia seguinte, o que levou essas pessoas a realizarem tal ato não foi seu espírito revolucionário ou sua vontade de transformar o mundo. Isso é coisa de estudante de ensino médio. O que fez com que eles atrapalhassem o dia de quem estava na universidade para estudar foi a carência. Sim, eles estavam, e ainda devem estar, carentes.

Quem passa pelo campus central da UFRGS logo fica surpreso com as faixas penduradas em torno das grades e muros, com os panfletos colados em postes e até em monumentos espalhados pela universidade. A auto-promoção feita pelos ocupantes, criando blogs, postando vídeos, se orgulhando em sites de relacionamento, não é para chamar a atenção da sociedade para a necessidade de um outro restaurante universitário, mas sim para aparecer nas notícias, obter seus quinze minutos de fama.

Pessoas que querem retornar a 1968, órfãs de uma causa.

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3 Comments:

Anonymous VW disse...

Ocupação de reitoria por aluno é vandalismo. Devem ser punidos como qualquer outro mortal que cometesse essa baderna...

14:27  
Anonymous Anônimo disse...

Imagino a raiva dos alunos que, querendo fazer o curso em uma universidade federal, e fazer a sério, não puderam entrar e perderam a vaga para esses babacas.

Sério, deve ter alguma regra que permita jubilar ou expulsar alunos que cometem faltas disciplinares graves. Se impedir gente séria e honesta de estudar não é uma falta disciplinar grave, então imagino o que seja! (Provavelmente defender a liberdade individual...)

19:11  
Blogger Zé Ricardo M. disse...

De pleno acordo, Philipe.

Estudo Economia na Unicamp (mas concordo com 95% deste blog) e, por aqui, aconteceu a mesma coisa. Não sei como é no sul, mas, tanto na Unicamp quanto na USP, Karl Marx é deus. E se Karl Marx é deus, monoalista do jeito que é, sem suportar opiniões contrárias, inexiste debate, mas sim imposições.

Na assembléia que se decidiu pela greve, apenas 20% dos alunos estavam presentes. Ainda assim, a votação foi apertada. Discutindo com um "grevista", disse para ele que não era uma votação representativa. E ele respondeu que se "10%" estivesse presente já teria sido representativa(!!).

Quer dizer, é uma profunda palhaçada.

De qualquer forma, gostaria de acreditar que é só carência. Porque, se em parte acho que é carência, ao menos na USP e na Unicamp vejo uma influência nefasta de sindicatos (que, no Brasil, só representam a eles mesmos). Quando penso que este governo tem bases sindicais e que o orçamento do Ministério da Previdência está sob o comando do ex-sindicalista Luís Marinho (o mais volumoso orçamento de ministério), isto me preocupa enormemente.

Abs e continue com o bom blog

20:37  

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